Histórias curtas diárias

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Toda semana um novo Mini para você.

Amor?
Suspense

I.

Odeio chuvas de verão.
Em um momento está tudo claro e do nada, ela vem, em toda sua glória. A chuva me pegou pouco antes de chegar em casa. Entro, tiro os óculos e a roupa molhada e vou pro banheiro. Só depois me dou conta de que esqueci o shampoo no guarda-roupa. Droga.

II.

Ouço a porta abrindo, meu amor chegou, que bom.
— Amor? Pode pegar meu shampoo pra mim? Tá lá no guarda-roupa.
Ele não responde, deve estar estressado hoje, mas escuto a porta do guarda-roupa abrindo e em seguida a silhueta de sua mão deixando o shampoo no box.

III.

— Obrigado querido.
Terminando de me enxugar. Ouço a porta de casa abrindo novamente. Ponho os óculos e saio do banheiro.
— Oi amor. Vai sair de novo?

IV.

— O que quer dizer, meu bem? Acabei de chegar.
— Se você acabou de chegar... Então quem me entregou o meu shampoo?

V.

Bom dia
Terror

I.

Acordou com os primeiros raios de sol dançando por entre as finas camadas de tecido que cobriam a janela do quarto.

Deu um salto da cama e com entusiasmo abriu a cortina, gritando:

- BOMMM DIA SOL!

II.

Uma onda de terror tomou conta do seu corpo, quando o sol respondeu ao seu "bom dia" com uma piscadela maliciosa.

Nunca mais abriu aquela janela, nem deixou de tomar seus remédios.

III.

IV.

V.

O Vulto
Terror

I.

Estava no quarto da minha esposa, quando um ruído vindo do quarto do meu filho chamou minha atenção.
Corri até lá. Pela porta, antes de entrar, já foi possível ver um vulto projetado sobre o berço.

II.

— Vá embora! – Ordenei, usando todas minhas forças.
A sombra se virou surpresa. Um som, que muito pouco lembrava a voz humana, saiu daquilo que talvez um dia fosse uma boca.

III.

— Não sabia que a casa já estava ocupada. Deveria cuidar melhor do seu território!
Falou, enquanto desaparecia como fumaça levada por uma brisa agoniante.

IV.

Fui até o berço e meu filho seguia dormindo, sereno e tranquilo. Só então consegui parar de tremer. Não pensava ser possível sentir tanto medo, mesmo depois de já ter morrido.

V.

Não tem certeza de qual ler primeiro?

Vamos olhar todo o catálogo de mini contos da Bilbbo e trazer um que seja a sua cara!

Ler meu Mini!
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Adolfo
Suspense

I.

Nem os olhos roxos conseguiam retirar o sorriso simpático, enquanto ela oferecia seus biscoitinhos para toda a delegacia.

O delegado chamou-a em sua sala.

- Dona Nina, conte novamente seu incidente, por favor.

‍

II.

- Pois bem. Dos maridos que tive, Adolfo até foi um dos bons, mas se fosse contrariado, era em mim que descontava sua frustração.

- Sempre foi ou hoje foi a gota d'água?

- Ele era bem previsível, sabe? Mas aí...

‍

III.

- Mas aí...?

Um brilho no olhar daquela senhora ligou o alerta na cabeça dele.

- Não admito palavrão em minha casa, senhor. Ele me chamou de puta! Enfiei minha melhor faca nas costas dele.

Dona Nina sorriu.

‍

IV.

Ele recebeu uma mensagem no celular: "Achamos mais 'coisas' na casa da senhora."

- Aceita outro biscoitinho enquanto lhe conto minha sina de viúva?

‍

V.

Alfredo
Suspense

I.

Calma, Dona Nina falava com o delegado, enquanto este devorava seu biscoitinho.

- Alfredo foi meu primeiro marido. Desatento ao extremo. Passei os primeiros anos me devotando a ele.

No celular do delegado, mensagens surgiam.

‍

II.

"Ela tem um porão! Parece o asilo de 'Jogos Mortais'. Quem mais morava com eles?"

Doce, ela falava:

- Aí, você tem uma iluminação. Ele me trocava pelos amigos e o futebol. - Que espécie de homem faz isso? Um dia, passei as roupas dele e preparei o café.

‍

III.

- Até pão quente com manteiga fiz. Mal-humorado, não disse nem bom dia ou muito obrigado. Comeu em silêncio, o traste! Sequer sentiu o gosto do veneno de rato.

Em silêncio, o delegado olhou o biscoitinho mordido.

‍

IV.

- Não se preocupe. O senhor parece dar a atenção necessária a uma mulher.

Disse ela sorrindo.

‍

V.

Alberto
Suspense

I.

"Estou aguardando a análise de um objeto suspeito.", dizia a mensagem.

- Dona Nina, pelo que eu percebi, não houve nenhum marido que não….

- Me aborreceu? Ela sorriu.

- Ah, bem, teve o Alberto. Tocava violão e cantava para mim.

‍

II.

- Adorava Ritchie…"Menina veneno, você tem um jeito doce de ser…"

- Outro marido com A?!

- E tem algo errado nisso, senhor?

- Não, inclusive, meu nome é Adriano. 

- Mas o mundo é pequeno demais!

‍

III.

- Aceite mais um biscoito, sim?
Ofereceu, deliciada.

- E o que houve com o Alberto?

- Oh! Meu querido Alberto faleceu.Era alguns anos mais velho do que eu. Câncer no pâncreas; não havia o que fazer! Quase fui à falência para salvá-lo. 

‍

IV.

“Confirmamos que o abajur é feito de carne humana.”, estava na mensagem.

- Mas ainda bem que salvei uma parte dele que vela meu sono todas as noites...

V.

Aquino
Suspense

I.

O delegado, educado, falava:
- A escrivã foi fazer um café. Aceita?
 
-Por que não?
Dona Nina sorriu.

-Aquino, meu outro marido, bebia muito, para curar as ressacas. Eu perdoava o alcoolismo. Não satisfeito, ele me traiu com uma sirigaita qualquer.

II.

- Por causa dele, quase fiz algo que me arrependi. Com o encanador. Um rapaz bonito. E eu era mais jovem.

- Ele me beijava perto da pia. Me fazia sentir coisas, sensações. Quando eu lembrei que era casada, acertei a cabeça dele com a chave de grifo.

‍

III.

- Aquino chegou bêbado e cheirando perfume barato. 'Estava cuidando de minhas coisas, megera!', ele disse.

- A culpa foi dele. Quase virei uma adúltera. Por isso, acertei-o com a mesma chave de grifo.

‍

IV.

- Os dois adubam meu jardim até hoje.

No celular, surgiu a mensagem:
"Há dois esqueletos no jardim."

‍

V.

Alcides
Suspense

I.

Os biscoitinhos tinham acabado. Dona Nina parecia uma avó contemplando seu neto. O delegado estava empanturrado. Tentou se justificar:

- Parei de fumar há pouco tempo, então, estou substituindo o cigarro pelo doce. Mas estavam realmente bons!

‍

II.

- Entendo. Meu Alcides tentou muitas vezes largar esse vício também. Fez de tudo um pouco, e começou a engordar, mas não de uma forma boa. Ele comia um bolo inteiro se eu deixasse, sabe?

- E imagino que a senhora ficou escrava do fogão?

‍

III.

- Fiquei, mas não por muito tempo. Piscou.

Sem mensagens. Bom sinal?

- Não precisei fazer muito. Ele morreu intoxicado com uma fornada de biscoitinhos, exatamente como essa.

‍

IV.

- Usei meu ingrediente secreto... Pó de Maridos.

Gargalhou. 

O delegado só teve tempo de chegar ao corredor. Outros desavisados estavam no mesmo estado.

‍

V.

Adriano
Suspense

I.

Alguns meses depois...

- Sabia que viria me visitar.
Disse dona Nina, na área de visitas da Prisão.

Adriano sentou-se ao lado dela:
- Tinha de vir. Tenho uma pergunta. A senhora poderia permanecer ilesa. Por que ir à delegacia? Por que se entregar?

‍

II.

O sorriso no rosto, a senhora disse:
- Não. Eu não me entreguei. De que adiantaria fazer o que fiz, sem contar a ninguém. Não tenho filhos e o senhor me pareceu o mais próximo a um neto.

- Peraí! Não se arrependeu?

‍

III.

- Todos os meus maridos foram homens terríveis. Ninguém vê isso. Quem era o monstro, afinal?

- Mesmo com o que acharam em sua casa, a senhora ainda conseguirá sair por causa de sua idade.

- O advogado foi muito bom. Lembrou meu finado Astrogildo.

‍

IV.

- A senhora teve um marido advogado?

- Se tiver tempo, posso continuar contando minha sina de viúva.

‍

V.

Terror
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Aconchego
Terror

I.

Após a separação, Miguel tinha como companhia apenas sua gata Fifi. Ela adorava deitar-se na ponta da cama. Ele aproveitava para fazer carinho nela com os dedos do pé e aquecê-los durante os dias frios.

II.

Uma noite, ele acordou suando frio. O peito parecia comprimido, faltava ar e o coração estourava de dor e medo. Entretanto, o volume familiar de Fifi na ponta de seus dedos o reconfortou. Adorava sentir o pelo macio dela. A forma do corpo se delineando sob seu pé.

‍

III.

Enquanto mexia na gata e se acalmava, algo peludo acertou-o no rosto. O coração disparou outra vez. Miguel olhou para o lado e viu Fifi dormindo ali. O rabo abanava devagar enquanto ela sonhava. Ronronava baixinho, alheia a todo o resto.

‍

IV.

Até o grito de Miguel.

‍

V.

O Predador
Terror

I.

Marcos era professor em uma escola pública. Com seus olhos verdes e um charme fatal, fez com que discursos imorais fossem encarados como brincadeira. Entre risos, na sala dos professores, falou sobre o corpo de uma aluna e como era difícil frear seus “instintos masculinos” perto dela.

‍

II.

Agia como se fosse um predador. As fofocas que corriam sobre a castidade de Ana, a professora de Ensino Religioso, atiçaram-no.

Após muita insistência, conseguiu convencê-la a sair em um encontro.

‍

III.

Aparentemente bêbada, ela o levou para seu apartamento. Arrastou Marcos para o quarto, puxou algemas de dentro de uma gaveta e, com um sorriso lascivo, o prendeu na cama.

— Não sabia que você era assim — Marcos disse num sussurro.

‍

IV.

— Todos temos nossos demônios.

Se Marcos não estivesse pensando em como contaria sobre aquela noite para os colegas, teria percebido o círculo no chão e velas formando uma figura.

‍

V.

Ana saiu do quarto e trancou a porta. Houve apenas um grito abafado e o som de sangue jorrando. O demônio de que falara era real e precisava se alimentar".

‍

Posto
Terror

I.

Madrugada.

O carro do casal seguia pela pista chuvosa, até um som estranho interromper a viagem.

O carro quebrara. Celulares sem bateria, para ajudar. No caminho, apenas um posto de gasolina.

‍

II.

Pararam no lugar que descobriram fechado. Ao longe, viram um vigia encapotado.

Por mais que tentassem, não conseguiam se aproximar do homem ou aparição.

Amedrontados e cansados, trancaram-se no carro.

‍

III.

De repente, batidas na janela.
O encapuzado, com uma lanterna em mãos, perguntava se poderia ajudar.

Abriu o capô do carro, consertou o defeito. Abasteceu o carro deles de graça e aconselhou-os a tomar mais cuidado nas viagens em estradas chuvosas.

‍

IV.

O casal, mais tranquilo, seguiu viagem, agradecidos àquela boa alma.

Tempos depois, descobriram que nunca houve um vigia noturno naquele posto.

‍

V.

Bom dia
Terror

I.

Acordou com os primeiros raios de sol dançando por entre as finas camadas de tecido que cobriam a janela do quarto.

Deu um salto da cama e com entusiasmo abriu a cortina, gritando:

- BOMMM DIA SOL!

II.

Uma onda de terror tomou conta do seu corpo, quando o sol respondeu ao seu "bom dia" com uma piscadela maliciosa.

Nunca mais abriu aquela janela, nem deixou de tomar seus remédios.

III.

IV.

V.

Ao Dormir
Terror

I.

Quando eu me mudei para meu novo apartamento, na mesma noite, acordei com algo se arrastando pelo corredor.

Na porta do quarto, surgiu um ser grande e curvo, mais escuro que

o próprio escuro. Do seu rosto, só vi

seus olhos vermelhos.

‍

II.

Isso durou algum tempo, até o dia

que chamei-o para dormir comigo.

Loucura, né? Eu sei.

Foi incrível ver aquela forma assustadora virar um homem triste e cansado. 

‍

III.

Dormíamos de conchinha até o dia em que desapareceu, e foi exatamente no dia em que arranjei um emprego, e assinei meu divórcio.

Aquele ser era o meu demônio interno. Aquele homem triste era eu.

‍

IV.

Conclusão, meu caro amigo:

Os problemas podem ficar desproporcionais, assustadores, e deixá-lo insone, mas não são eternos. Leve-os pra cama se quiser. Enfrente-os!

Se eles são você em algum momento, logo serão apenas uma fase que ficou para trás.

‍

V.

Pescaria
Terror

I.

O pai virou-se para ele e disse:
- Bora pescar, menino! Descobri um açude na beira da estrada velha aonde só tem peixe grande!
Animado, o menino pegou suas tralhas e partiram.

II.

O asfalto deu lugar a terra vermelha, cercada de capim alto dos dois lados, mas nada do tal açude aparecer, até que avistaram carros estacionados, cobertos de pó.
- É aqui! -declarou, parando na ribanceira.
Pegou suas tralhas e pulou no mato.

III.

Glup!
- Eita!
Tchibum!
"Não é que o velho acertou?!", pensou o filho.
Silêncio na margem d'água.

IV.

- Pai? -chamou.
Em resposta, ouviu uma risada.
Abrindo passagem no matagal, o menino viu uma mulher. Ela mastigava satisfeita na sombra, e agitava a água com sua calda.
Ao lado dele, o primeiro pescador fantasma da longa fila, grunhiu:
- Essa Iara é uma desgraçada mesmo!!

V.

Drama
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Bom dia
Drama

I.

A minha rotina era sempre a mesma, todos os dias por volta das 06:00 acordava com a minha esposa sussurrando no meu ouvido. Lembro-me bem daquela doce voz dizendo:

- Bom dia, meu amor.

II.

Isso de fato alegrava o meu dia.

Mas um dia em especial eu jamais irei esquecer, era um domingo chuvoso, acordei com a sua mão passando em minhas costas e senti seu rosto chegando próximo ao meu ouvido, logo ouvi aquela voz tentando me acordar, mas comoeu havia trabalhado até tarde na noite passada, apenas me virei e voltei a dormir.

III.

Quando acordei, já não havia ninguém na minha cama, então me levantei e peguei o celular para checar as horas, era 12:15 em um 4 de Novembro.

Nesse instante, a única coisa que pude lembrar, é que naquele dia fazia exatos 2 anos da sua morte

IV.

V.

O Empata
Drama

I.

Sentada, ao meu lado, na sala de aula, está a menina mais linda do mundo. Seu nome é Roberta. É minha vizinha de frente, mas não sei se ela sabe. E hoje ela está mais triste do que de costume. Pelo seus olhos vermelhos, com o esquerdo levemente inchado, sei que as coisas não andam muito bem.

‍

II.

Quando seus pais brigam, sempre sobra pra ela. Gostaria muito de tirá-la desse mundo de dor...

Eu sigo o caminho que ela faz, cortando por um beco. Chuto uma pedra que bate numa lata. Roberta olha pra trás, mas ao me ver, relaxa. Sorrindo, vou ao seu encontro. Quero mostrar que eu entendo sua tristeza.

‍

III.

Seguro com minhas duas mãos seu pescoço e aperto. Roberta se assusta, depois se entrega. Vejo nos seus olhos que ela segue em paz. Suas lágrimas são de agradecimento.

‍

IV.

Existem muitas formas de ter empatia pelos outros, e muitas formas de demonstrá-las. Cada um faz sua parte, não é mesmo?

‍

V.

Equilíbrio
Drama

I.

Equilibrar pedras é minha atividade preferida.

Encaixar suas imperfeições, procurar seu eixo central por horas a fio, empilhar, uma a uma, as rochas assimétricas, formando totens de exímia beleza.

‍

II.

Enquanto busco o ponto correto de uma pedra ovalada sobre uma quadrada, ouço passos.

Alguém se aproxima.

“Está na hora de conseguir mais pedras para equilibrar!”

‍

III.

Sugerem, sibilantes, as serpentes em minha cabeça.

‍

IV.

V.

Esfíngico
Drama

I.

Desde criança tinha curiosidade em conhecer o baú secreto do senhor Wilson, um velho sábio que parecia saber de todas as coisas. Sempre ouvi dizer que se descobríssemos o que havia ali conseguiríamos finalmente descobrir o segredo que nos mantém vivos.

II.

Mas nunca ninguém conseguiu entrar naquela sala amarela onde ele ficava guardado pois o ancião não permitia que ninguém se aproximasse.

‍

III.

Até que numa quarta-feira chuvosa enquanto Wilson preparava um café consegui aquilo que sempre foi tão ábdito, entrei na sala e rapidamente abri aquela grande caixa de madeira rústica, retirei um papel e li:

IV.

“Quando você descobrir o segredo que o mantém vivo não terá mais razão para continuar vivo. Não tenha pressa, nem medo e não busque sentido, viver já é a melhor descoberta que poderia fazer!”

‍

‍

‍

V.

Histórias
Drama

I.

Quando mais novo, escutei por muitas vezes histórias de uma espécie de morto-vivo que ficava vagando por ai, impossibilitado de descansar pois havia sido banido do céu e do inferno, condenado a permanecer no mundo dos vivos.

‍

II.

Isso sempre me pareceu uma das muitas histórias que me contavam para garantir que eu fosse uma criança bem comportada.

‍

III.

Até o dia em que me deparei com um corpo, extramente seco, no final de seu processo de decomposição, vagando de um lado para o outro na rua de casa.

‍

IV.

V.

Fábrica
Drama

I.

- Perdemos mais um. Na mineração.

- O quê?

- Perdemos mais um. Na fundição.

- Porra! na fundição ou na mineração?

II.

- Fundição e mineração... só um minuto...e mais quatro na explosão de uma caldeira. Acabou de acontecer.

- Merda! Esses putos querem acabar com minha empresa! com minha família! com o meu dinheiro! estão morrendo aos montes! isso é um absurdo! que gente incompetente! não duram mais que três meses! sempre morrendo!

III.

- O senhor deveria investir em robôs. São indestrutíveis...

- Você sabe quanto custa um robô? um absurdo! absurdo!

IV.

- Prefiro aproveitar o fato dos robôs terem acabado com direitos trabalhistas, trabalham por migalhas, não geram custo...

- Quantos morreram esse mês?

- Nessa unidade, 70.

V.

- Peça outra carga de imigrantes. 
E seja breve. Tempo é dinheiro.

Suspense
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Festa
Suspense

I.

O homem saiu da festa para o jardim, meio bêbado. Precisava respirar um pouco. Atrás de si a música ainda tocava alta e as pessoas riam.

Foi somente quando se encostou na parede que notou que não estava sozinho. Uma mulher esguia estava lá, fumando cigarro.

II.

-Vim respirar um pouco.
Ela concordou, sem desviar os olhos da paisagem. Da penthouse dava para ver a cidade acesa e as estrelas.
-Como está lá dentro?
-Animado.
Ele se aproximou e a morena lhe ofereceu o cigarro. O homem aceitou e deu uma tragada.

III.

-Quando acha que vai acontecer?
Ela deu os ombros.
-É melhor não saber, eu acho.
-Verdade.
Ficaram em silêncio ao que uma risada alta e o barulho de algo se quebrando os fez rir.
Ele devolveu o cigarro.

IV.

Foi quando o céu começou a ficar vermelho e um vento quente os atingiu em cheio.
A mulher deu uma longa tragada e jogou a bituca no chão, apagando-a com a ponta do salto.
-Não deveria estar com a família?
-Eu não tenho ninguém.

V.

Ambos olharam um para o outro e se deram as mãos pouco antes do cometa atingir a Terra.
E a festa finalmente acabou.

Inigualável
Suspense

I.

A primeira vez que lhe vi foi em um café perto do meu prédio. Cruzamos olhares, você sorriu, pediu licença, e então eu soube que nunca mais poderia te deixar ir.

Depois disso, te achei nas redes sociais e nos encontramos ainda quatro vezes pela cidade. Eu me vi aprendendo cada charme e hábito seu, rindo de seu humor rápido e inteligente.

‍

‍

II.

Saiba, eu acho que você é a pessoa mais incrível do mundo. Forte e complemente única.

Fiquei muito feliz quando em nosso quinto encontro, reuni coragem e te acompanhei da parada de ônibus até sua casa.

‍

III.

Hoje, depois de um mês, percebi que você esqueceu as chaves no portão de entrada. Mas não se preocupe, eu já as peguei.

‍

‍

IV.

Agora mal posso esperar para finalmente nos conhecermos em pessoa.

‍

V.

Amor?
Suspense

I.

Odeio chuvas de verão.
Em um momento está tudo claro e do nada, ela vem, em toda sua glória. A chuva me pegou pouco antes de chegar em casa. Entro, tiro os óculos e a roupa molhada e vou pro banheiro. Só depois me dou conta de que esqueci o shampoo no guarda-roupa. Droga.

II.

Ouço a porta abrindo, meu amor chegou, que bom.
— Amor? Pode pegar meu shampoo pra mim? Tá lá no guarda-roupa.
Ele não responde, deve estar estressado hoje, mas escuto a porta do guarda-roupa abrindo e em seguida a silhueta de sua mão deixando o shampoo no box.

III.

— Obrigado querido.
Terminando de me enxugar. Ouço a porta de casa abrindo novamente. Ponho os óculos e saio do banheiro.
— Oi amor. Vai sair de novo?

IV.

— O que quer dizer, meu bem? Acabei de chegar.
— Se você acabou de chegar... Então quem me entregou o meu shampoo?

V.

Salvação
Suspense

I.

Adão corria sempre até o fim daquela via inacabada. Gostava de fazê-lo durante à tarde, quando o pôr do sol refletia-se sob as águas da represa.

Também era um momento em que as pessoas iam menos lá. Ainda mais naquele inverno.

‍

II.

Enquanto observava as nuvens tingidas de vermelho e roxo, como numa aquarela, notou alguém se debatendo nas águas da represa.


— Que droga! — disse, embora estivesse sozinho. Exceto pelo futuro afogado.

‍

III.

Ninguém deveria entrar na represa, muito menos tentar nadar. Mas Adão ignorou aquilo.

Correu até a cerca, atravessou-a e mergulhou nas águas frias. Salvaria aquele idiota de si mesmo. Quando se aproximou, deparou-se com o rosto anfíbio.

‍

IV.

Ninguém deveria entrar na represa, muito menos tentar nadar. Mas Adão ignorou aquilo.

Correu até a cerca, atravessou-a e mergulhou nas águas frias. Salvaria aquele idiota de si mesmo. Quando se aproximou, deparou-se com o rosto anfíbio.

‍

V.

Batidas
Suspense

I.

Uma, duas, três batidas fortes. Ninguém veio.

Uma, duas, três, dessa vez quatro batidas fortes. Ninguém veio. Eu gritei... Mas ninguém veio.

II.

Até que senti algo batendo na madeira. Será que finalmente vieram?

Mas era apenas a terra que jogavam sobre o caixão.

‍

III.

IV.

V.

O Bebê
Suspense

I.

- Oi querido, como está o bebê?
- Está bem, chorou um pouco, mas agora dormiu.

- Que bom, estava preocupada.
- Fica tranquila, ele vai ficar bem.

‍

II.

- E os pais dele?
- Ainda estão no porta-malas.

‍

III.

IV.

V.

Romance
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Carnaval
Romance

I.

Juraram amor eterno ao se verem, entre um trio e outro.

Não perderam tempo trocando desnecessários nomes.

Paixão avassaladora.

‍

II.

Durou quatro dias, cinco abadás, sete trios elétricos, oito motéis, nove becos, dezenas  de fantasias, inumeráveis e indecifráveis bebidas e nenhum preservativo.

Depois da quarta, cinzas e quaresma.

‍

III.

IV.

V.

Ping-Pong
Romance

I.

“Pera-uva-maçã?” Ele respondeu que salada de fruta.

Nunca ganhara um beijo, e queria que fosse do sabor da goma de mascar que ela usava.

Cada bola que ela fazia e estourava, sentia aquele cheiro delicioso de tutti-frutti.

‍

II.

Ela olhou em seus olhos, estourou mais uma bola e perguntou se tinha que ser na boca.

“Oras, lógico, a brincadeira não é essa?” Não disse, mas pensou. Fez apenas que “sim” com a cabeça, olhando para os lados para ver se tinha algum adulto por perto.

‍

III.

Porque gente grande não entende nada da pressa que as crianças têm para serem felizes o tempo todo. Para eles, tudo tem o seu tempo.

Mas o beijo que ele queria era para agora, não para quando fosse adulto com 15 anos.

‍

IV.

Instintivamente, fechou os olhos. Foi quando um lábio doce e molhado encostou ao seu. E mil foguetes explodiram no céu, na mesma rapidez que seu coração quase parou... e ela se afastou, deixando em sua boca o chiclete Ping Pong mais gostoso da sua vida!

‍

V.

Estrela
Romance

I.

Eu já amei uma vez.

A muito tempo atrás eu me lembro de ter visto uma estrela, foi a primeira vez que senti meu coração bater mais forte.

II.

Eu só queria tê-la, então desejei que ela ficasse.

Eu não acreditei quando percebi que ela vinha em minha direção.

III.

IV.

V.

A Promessa
Romance

I.

Não foi um dia muito fácil, a dor da perda o perseguia em cada passo que dava.

Lá no fundo sentia que poderia ter feito algo diferente, sei lá, se tivesse segurado com mais força, talvez não a tivesse perdido.

II.

Agora era tarde. O maior clichê da vida é a morte, quando ela chega vemos o que deveria ter sido dito e não foi.

Mas ele não iria embora dali, não sem ela, afinal, fizeram uma promessa de ficarem juntos. Esperaria o quanto fosse preciso na mesma poltrona em que morreu, até ela poder deixar a casa com ele e partirem juntos.

III.

IV.

V.

Boêmio
Romance

I.

A noite cai na grande cidade. Pessoas caminham apressadas para chegarem as suas casas, mas o boêmio não

Ele é amigo da lua, amante da madrugada. Ele versa com aquilo que ninguém percebe, as estrelas.

‍

II.

O boêmio acorda tarde e se prepara para à noite. Ele é um ser intocável sentimentalmente.

Mas o boêmio não contava em se apaixonar.

Amanda é uma menina alegre, 25 anos e com um tesão pela vida que encanta a todos.

‍

III.

O boêmio, numa bela noite de lua cheia no alto do céu, viu o brilho da Amanda e a confundiu com aquilo que o inspirava.

Não era nenhuma estrela, era a menina de seus olhos encantados. O boêmio tentou fugir, dizer não quando queira dizer sim.

‍

IV.

E como um raio, Amanda passou e o boêmio com as pernas bambas ficou e reação não teve. A menina se foi. E hoje o boêmio chora, tendo sua amiga lua por testemunha, guardando na memória a noite em que um anjo tocou seu coração.

‍

V.

Agora ele rabisca nos guardanapos dos bares versos de tristeza, aguardando o dia em sua musa aparecerá novamente.

Camila
Romance

I.

Deslizo a mão em seus cabelos grisalhos. Há tanta coisa para contar, sabe? Desde o dia que te conheci, quando de forma inusitada, te atropelei com a minha bike… 



II.

Nossa primeira dança no baile de formatura, nosso primeiro beijo lá na casa dos seus pais…

Depois disso, trabalhando, alugamos uma casinha e vivemos momentos maravilhosos; parecíamos duas crianças brincando sem nunca cansar.

III.

Sofri junto com você no nascimento do nosso primeiro filho, mas deu tudo certo. Aprendi, com muitos erros, a decifrar cada expressão e sentimentos teus. Não fomos para Paris ou Nova York, mas descobrimos muito do nosso Nordeste.

IV.

Hoje, por ironia do destino, você não se lembra mais de mim, nem dos nossos inúmeros momentos juntos.

V.

Mesmo assim, amanhã irei te contar tudo de novo, como se fosse a primeira vez.

SciFi
ver mais
Q.I.
Sci-Fi

I.

– 118!

– Isso é fichinha, contramestre! Este barco tem QI acima de 130.

– E tu, marujo, qual o teu QI?

– Não quero te dizer o meu.
O moço de convés tinha vergonha do QI abaixo da média.

II.

O navio E=MC2 era o primeiro barco comandado pelo aprendizado profundo das máquinas.

O moço do convés ficava intrigado. E se aquele monstro que se movia a 50 nós por hora tivesse algum devaneio cibernético?

III.

Ao limpar os instrumentos, notou uma silhueta na tela. Parecia ser um grande navio se aproximando.

Indiferente, o E=MC2 seguia seu rumo.
O marujo pensou: “Isto não deve estar correto!”

IV.

Temendo o pior, relatou sua desconfiança ao comandante.

O experiente navegador pegou seu binóculo. Logo adiante uma nau se aproximava rapidamente.

Era outro navio inteligente.
A rebelião das máquinas começou pelo mar.

V.

O Levantar
Sci-Fi

I.

É muito difícil descrever em palavras o que eu vi. Conforme seu corpo, ou melhor, sua forma se levantava, tudo ao redor foi sumindo, como se aquela existência ocupasse toda a importância de meus olhos. Pensei em levar as mãos aos olhos e cobri-los, mas algo me dizia que o ato seria inútil.

II.

A cena já estava tatuada em minha mente, e nunca mais serei capaz de apagá-la. Aquela visão me trouxe até aqui, Doutor.

Espero que suas ferramentas e conhecimentos sejam capazes de remover essas loucuras de minha cabeça.

‍

‍

III.

IV.

V.

Hacker
Sci-Fi

I.

As lojas fechadas, shopping centers trancados, ruas vazias.

Este era o cenário perfeito para mim: hackear empresas e sites e lucrar com isto.

‍

II.

Fui rapidamente para meu computador, liguei ele e logo comecei a pesquisar por onde iria começar.

Muitas solicitações, muita demanda, entre elas, um e-mail sem assunto.

‍

III.

Decidi abrir, afinal um hacker não pode ser hackeado e imediatamente minha tela piscou e tudo desapareceu.

Uma imagem surgiu na tela instantes depois: Você foi hackeado por COVID-19.

IV.

V.

Droid
Sci-Fi

I.

Sempre fui a unidade LFU3 desta tripulação, simples e com apenas 5 formas de vida compondo-a. Meu trabalho resume-se em, sempre que pousamos em um novo planeta, encontrar formas de vida.

‍

II.

Esta era a minha programação primaria. Uma pena que o engenheiro tenha retirado a atualização de alerta a vidas hostis.

‍

III.

IV.

V.

Tempo
Sci-Fi

I.

“O tempo é uma ferramenta que foi criada para controlar as nossas vidas”.

Não me lembro quem me disse isso quando eu era garoto, mas essa visão do tempo me perturbou e me instigou por toda a vida.

II.

Quanto tempo temos?
Porque temos que nos curvar a ele?
E se pudéssemos caminhar por ele?
O que daríamos em troca?

Não me lembro em que momento os primeiros começaram a manipular seu próprio tempo, passado e futuro, pagando a ele com suas próprias vidas.

III.

Eu apenas entendi a teoria das cordas, e aprendi a vibrar em outras frequências, e assim, viver entre momentos.

Eu venci o tempo.
Enganei o tempo.
Paguei ele com vidas de outros.

IV.

Ele deixou de se importar comigo.

Estou assim há eras, tudo já se extinguiu no universo, só restou a escuridão e o silêncio. Não estou vivo e nem morto, apenas sou.

V.

Me tornei prisioneiro do que sempre fugi, no final ele me enganou, e me aprisionou nesse momento infinito.

Devia tê-lo tratado com o devido respeito.

Farsa
Sci-Fi

I.

Sempre imaginei que em algum lugar, eu seria uma pessoa diferente.
Boa vida, uma casa grande, família de comercial de margarina, tudo aquilo que muita gente batalha a vida inteira para ter.

‍

II.

Não imaginava que, quando conseguisse encontrar esse outro lugar e essa outra vida, a pessoa que ocupava a minha existência seria tudo aquilo que não suportava ver.

‍

III.

IV.

V.

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