Histórias curtas diárias

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Toda semana um novo Mini para você.

Amor?
Suspense

I.

Odeio chuvas de verão.
Em um momento está tudo claro e do nada, ela vem, em toda sua glória. A chuva me pegou pouco antes de chegar em casa. Entro, tiro os óculos e a roupa molhada e vou pro banheiro. Só depois me dou conta de que esqueci o shampoo no guarda-roupa. Droga.

II.

Ouço a porta abrindo, meu amor chegou, que bom.
— Amor? Pode pegar meu shampoo pra mim? Tá lá no guarda-roupa.
Ele não responde, deve estar estressado hoje, mas escuto a porta do guarda-roupa abrindo e em seguida a silhueta de sua mão deixando o shampoo no box.

III.

— Obrigado querido.
Terminando de me enxugar. Ouço a porta de casa abrindo novamente. Ponho os óculos e saio do banheiro.
— Oi amor. Vai sair de novo?

IV.

— O que quer dizer, meu bem? Acabei de chegar.
— Se você acabou de chegar... Então quem me entregou o meu shampoo?

V.

Bom dia
Terror

I.

Acordou com os primeiros raios de sol dançando por entre as finas camadas de tecido que cobriam a janela do quarto.

Deu um salto da cama e com entusiasmo abriu a cortina, gritando:

- BOMMM DIA SOL!

II.

Uma onda de terror tomou conta do seu corpo, quando o sol respondeu ao seu "bom dia" com uma piscadela maliciosa.

Nunca mais abriu aquela janela, nem deixou de tomar seus remédios.

III.

IV.

V.

O Vulto
Terror

I.

Estava no quarto da minha esposa, quando um ruído vindo do quarto do meu filho chamou minha atenção.
Corri até lá. Pela porta, antes de entrar, já foi possível ver um vulto projetado sobre o berço.

II.

— Vá embora! – Ordenei, usando todas minhas forças.
A sombra se virou surpresa. Um som, que muito pouco lembrava a voz humana, saiu daquilo que talvez um dia fosse uma boca.

III.

— Não sabia que a casa já estava ocupada. Deveria cuidar melhor do seu território!
Falou, enquanto desaparecia como fumaça levada por uma brisa agoniante.

IV.

Fui até o berço e meu filho seguia dormindo, sereno e tranquilo. Só então consegui parar de tremer. Não pensava ser possível sentir tanto medo, mesmo depois de já ter morrido.

V.

Não tem certeza de qual ler primeiro?

Vamos olhar todo o catálogo de mini contos da Bilbbo e trazer um que seja a sua cara!

Ler meu Mini!
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Adolfo
Suspense

I.

Nem os olhos roxos conseguiam retirar o sorriso simpático, enquanto ela oferecia seus biscoitinhos para toda a delegacia.

O delegado chamou-a em sua sala.

- Dona Nina, conte novamente seu incidente, por favor.

II.

- Pois bem. Dos maridos que tive, Adolfo até foi um dos bons, mas se fosse contrariado, era em mim que descontava sua frustração.

- Sempre foi ou hoje foi a gota d'água?

- Ele era bem previsível, sabe? Mas aí...

III.

- Mas aí...?

Um brilho no olhar daquela senhora ligou o alerta na cabeça dele.

- Não admito palavrão em minha casa, senhor. Ele me chamou de puta! Enfiei minha melhor faca nas costas dele.

Dona Nina sorriu.

IV.

Ele recebeu uma mensagem no celular: "Achamos mais 'coisas' na casa da senhora."

- Aceita outro biscoitinho enquanto lhe conto minha sina de viúva?

V.

Alfredo
Suspense

I.

Calma, Dona Nina falava com o delegado, enquanto este devorava seu biscoitinho.

- Alfredo foi meu primeiro marido. Desatento ao extremo. Passei os primeiros anos me devotando a ele.

No celular do delegado, mensagens surgiam.

II.

"Ela tem um porão! Parece o asilo de 'Jogos Mortais'. Quem mais morava com eles?"

Doce, ela falava:

- Aí, você tem uma iluminação. Ele me trocava pelos amigos e o futebol. - Que espécie de homem faz isso? Um dia, passei as roupas dele e preparei o café.

III.

- Até pão quente com manteiga fiz. Mal-humorado, não disse nem bom dia ou muito obrigado. Comeu em silêncio, o traste! Sequer sentiu o gosto do veneno de rato.

Em silêncio, o delegado olhou o biscoitinho mordido.

IV.

- Não se preocupe. O senhor parece dar a atenção necessária a uma mulher.

Disse ela sorrindo.

V.

Alberto
Suspense

I.

"Estou aguardando a análise de um objeto suspeito.", dizia a mensagem.

- Dona Nina, pelo que eu percebi, não houve nenhum marido que não….

- Me aborreceu? Ela sorriu.

- Ah, bem, teve o Alberto. Tocava violão e cantava para mim.

II.

- Adorava Ritchie…"Menina veneno, você tem um jeito doce de ser…"

- Outro marido com A?!

- E tem algo errado nisso, senhor?

- Não, inclusive, meu nome é Adriano. 

- Mas o mundo é pequeno demais!

III.

- Aceite mais um biscoito, sim?
Ofereceu, deliciada.

- E o que houve com o Alberto?

- Oh! Meu querido Alberto faleceu.Era alguns anos mais velho do que eu. Câncer no pâncreas; não havia o que fazer! Quase fui à falência para salvá-lo. 

IV.

“Confirmamos que o abajur é feito de carne humana.”, estava na mensagem.

- Mas ainda bem que salvei uma parte dele que vela meu sono todas as noites...

V.

Aquino
Suspense

I.

O delegado, educado, falava:
- A escrivã foi fazer um café. Aceita?
 
-Por que não?
Dona Nina sorriu.

-Aquino, meu outro marido, bebia muito, para curar as ressacas. Eu perdoava o alcoolismo. Não satisfeito, ele me traiu com uma sirigaita qualquer.

II.

- Por causa dele, quase fiz algo que me arrependi. Com o encanador. Um rapaz bonito. E eu era mais jovem.

- Ele me beijava perto da pia. Me fazia sentir coisas, sensações. Quando eu lembrei que era casada, acertei a cabeça dele com a chave de grifo.

III.

- Aquino chegou bêbado e cheirando perfume barato. 'Estava cuidando de minhas coisas, megera!', ele disse.

- A culpa foi dele. Quase virei uma adúltera. Por isso, acertei-o com a mesma chave de grifo.

IV.

- Os dois adubam meu jardim até hoje.

No celular, surgiu a mensagem:
"Há dois esqueletos no jardim."

V.

Alcides
Suspense

I.

Os biscoitinhos tinham acabado. Dona Nina parecia uma avó contemplando seu neto. O delegado estava empanturrado. Tentou se justificar:

- Parei de fumar há pouco tempo, então, estou substituindo o cigarro pelo doce. Mas estavam realmente bons!

II.

- Entendo. Meu Alcides tentou muitas vezes largar esse vício também. Fez de tudo um pouco, e começou a engordar, mas não de uma forma boa. Ele comia um bolo inteiro se eu deixasse, sabe?

- E imagino que a senhora ficou escrava do fogão?

III.

- Fiquei, mas não por muito tempo. Piscou.

Sem mensagens. Bom sinal?

- Não precisei fazer muito. Ele morreu intoxicado com uma fornada de biscoitinhos, exatamente como essa.

IV.

- Usei meu ingrediente secreto... Pó de Maridos.

Gargalhou. 

O delegado só teve tempo de chegar ao corredor. Outros desavisados estavam no mesmo estado.

V.

Adriano
Suspense

I.

Alguns meses depois...

- Sabia que viria me visitar.
Disse dona Nina, na área de visitas da Prisão.

Adriano sentou-se ao lado dela:
- Tinha de vir. Tenho uma pergunta. A senhora poderia permanecer ilesa. Por que ir à delegacia? Por que se entregar?

II.

O sorriso no rosto, a senhora disse:
- Não. Eu não me entreguei. De que adiantaria fazer o que fiz, sem contar a ninguém. Não tenho filhos e o senhor me pareceu o mais próximo a um neto.

- Peraí! Não se arrependeu?

III.

- Todos os meus maridos foram homens terríveis. Ninguém vê isso. Quem era o monstro, afinal?

- Mesmo com o que acharam em sua casa, a senhora ainda conseguirá sair por causa de sua idade.

- O advogado foi muito bom. Lembrou meu finado Astrogildo.

IV.

- A senhora teve um marido advogado?

- Se tiver tempo, posso continuar contando minha sina de viúva.

V.

Terror
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Revelação
Terror

I.

- Oi, Pai! Eai, como foi seu dia?
Perguntou Alice assim que entrou na casa e viu o homem na cozinha.
- Foi excelente querida, você pode vir aqui um instante?

II.

A maciez presente na voz gerava um contraste inusitado com a forma precisa com que executava o corte do pedaço de carne crua sobre a bancada da cozinha.
- Só um instante, vou escovar os dentes, o Johnatan me deu um pastel horrível e preciso tirar esse gosto da boca.

III.

- É claro meu bem, depois venha aqui.
O sorriso do pai sempre foi uma expressão encantadora para Alice.
Quando a garota entrou no banheiro, não precisou nem de meio segundo para resgatar uma antiga lembrança de infância, que, aparentemente, o pai havia deixado sugerida para ela.

IV.

Em sua frente, sobre o balcão da pia, as escovas de dente se cruzavam perfeitamente. Era assim que ela e seu pai deixavam identificada a pista de que uma mensagem secreta estava oculta sob vapor no espelho. Bastava um sopro de calor, e então, como mágica, as palavras surgiram diante dela.

V.

Foi exatamente o que fez, mesmo sem sequer lembrar a última vez em que haviam brincado disso, e se provando estar certa, as letras rapidamente começaram a se revelar. O segredo oculto trazia apenas uma frase:
O HOMEM QUE ESTÁ NA CASA NÃO SOU EU!

Aconchego
Terror

I.

Após a separação, Miguel tinha como companhia apenas sua gata Fifi. Ela adorava deitar-se na ponta da cama. Ele aproveitava para fazer carinho nela com os dedos do pé e aquecê-los durante os dias frios.

II.

Uma noite, ele acordou suando frio. O peito parecia comprimido, faltava ar e o coração estourava de dor e medo. Entretanto, o volume familiar de Fifi na ponta de seus dedos o reconfortou. Adorava sentir o pelo macio dela. A forma do corpo se delineando sob seu pé.

III.

Enquanto mexia na gata e se acalmava, algo peludo acertou-o no rosto. O coração disparou outra vez. Miguel olhou para o lado e viu Fifi dormindo ali. O rabo abanava devagar enquanto ela sonhava. Ronronava baixinho, alheia a todo o resto.

IV.

Até o grito de Miguel.

V.

Aos Últimos
Terror

I.

Aos que restarem.

***

Ela faz esse trabalho há muito tempo, mas só é requisitada em ocasiões especiais. Ela não sente nenhum prazer em seu trabalho, e em coisa alguma. Apenas o faz.

II.

Para os trabalhos cotidianos, existem subalternos. Esses sim sentem prazer, e a invejam.

Mas essa é uma ocasião especial. Mais uma vez ela veste seu manto, tecido especialmente para ela por seres mais antigos que o tempo.

III.

Coloca sua majestosa coroa de fumaça negra, forjada com falsas almas de profetas e religiosos. Sua coroa chora e se lamenta eternamente.

Lentamente pega sua foice. Sentindo o cabo feito de tripas e ossos secos, se lembra das vezes que a usou. Confia absolutamente na lâmina.

IV.

Ela é a melhor naquilo que faz.

Ela está chegando.

V.

Lambuza
Terror

I.

A boneca veio embrulhada em um lindo laço cor de rosa. Vivi mal podia acreditar: parecia um bebê de verdade, com olhos azuis famintos e bochechas manchadas de comida, acompanhada de um pratinho e colher plástico.

Júlia, como dizia o nome na caixa, foi o melhor presente de aniversário de todos e Vivi dormiu abraçada com ela naquela noite.

II.

Durante a madrugada, no entanto, a menina acordou com um barulho. O travesseiro ao seu lado estava vazio e a porta do quarto aberta. Havia uma pequena sombra embaixo de sua cama.

-Mãe? Pai? - perguntou baixinho.

Não houve uma resposta. Apenas uma risadinha atrás de si.

III.

Movida pelo susto, Vivi tomou impulso e se levantou, dando de cara com um corredor mal iluminado. Algo parecia lhe espreitar das trevas, pronto para agarrar seu tornozelo.

Ela soltou um grito e começou a correr, sentindo um vento frio na nuca no exato momento em que alcançou a segurança do quarto dos pais e trancou a porta.

IV.

Respirou aliviada.

Quando se virou, no entanto, se deparou com os corpos dos pais estraçalhados na cama.

Partes haviam sido arrancadas e mordidas e, sentada no meio deles, estava Júlia. Com o rosto lambuzado de sangue.

V.

Mensagem
Terror

I.

Já era madrugada. Só a luz do celular e o som do ventilador quebravam o breu e o silêncio dentro do quarto.
Meu corpo começava a afundar na cama e o sono me abraçava com seus braços quentes, quando recebi uma mensagem de um número desconhecido:

II.

"Não vai dormir, criança? Estou cansada de esperar!"


Em um misto de surpresa, raiva e medo, respondi na mesma hora a mensagem:


"Vai se fd seu m*, qm é? Cmo tm meu número?"

III.

Mesmo com calor, um frio percorreu todo meu corpo no instante em que ouvi o som de mensagem recebida vir de baixo da cama.

IV.

V.

Babá
Terror

I.

“Eu te batizo em nome de Satanás!”
Ao ouvir essa frase vindo da babá eletrônica, narrada por uma voz tenebrosa, Lúcia corre para o quarto do bebê no meio da noite, encontrando o pequenino chorando na penumbra. A fina tela que cobria o berço movia-se formando uma silhueta, contornando algo maligno junto da criança.

II.

Um forte cheiro de vela tomava conta daquele lugar, deixando o quarto com uma atmosfera idêntica a de um velório.
Os ruídos vêm assombrando Lúcia há três dias, e então, ela lembrou do número de telefone concedido por sua amiga supersticiosa, indicando que sua vizinha, de dons sobrenaturais, estaria disposta a ajudá-la.

III.

A vizinha atende o telefone e se assusta aos berros de Lúcia:
- Venha, depressa! Um ser maligno está no quarto do bebê!
A vizinha parte para casa de Lúcia acompanhada de uma sensação terrível e maléfica.

IV.

Lúcia abre a porta, agarra um dos braços da velha e a conduz até o quarto.
- Onde está o pai da criança?
Constrangida, Lúcia responde que teve um caso de uma noite com um homem e ele sumiu, para sempre.

V.

A velha, ao entrar no quarto do bebê, imóvel e de olhos arregalados, sussurra para Lúcia:
- Misericórdia! Seus olhos não têm o dom de enxergar isto, mas eu vejo claramente! Não existe um ser maligno assombrando seu filho; o seu filho é o próprio maligno. Você teve um caso com Satã e deu à luz um demônio. Este é o filho das trevas!

Drama
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Cordão
Drama

I.

O que foi filha?
Porquê está chorando?

Nada não mãe, é apenas minha TPM. Dessa vez esta bem complicada.

Termino a conversa e subo para meu quarto.
Não consigo parar de pensar.

II.

Era essa semana que iria dar a luz. Hoje completariam os 9 meses. Ele se chamaria Pedro.
Ironia não?! Ser o mesmo nome do açougueiro que tirou ele de mim.

III.

IV.

V.

Fuga
Drama

I.

Embolar as roupas, enfiá-las na mala, apenas o essencial, sim, o suficiente para viver só, apartado de qualquer opressão, o necessário para dias de frio e calor, uma bebida quente para atravessar a modorra, um livro para atiçar o tédio, de preferência com figuras, pois ainda não lê bem, mas decidiu-se; quer fazer aquilo que lhe apeteça.

II.

Ora, a vida é pra ser vivida, desfrutada já que finita!

Contra a mutilação dos instintos protestava planejando fuga, criança dona do próprio nariz, assim se via até a mãe, batendo pé sob o beiral, braços em xícara, exclamar indiferente a pena daquela partida, pois jazia no forno um bolo.

III.

Desconfiou o blefe, não nascera ontem, mas é inconfundível o cheiro de açúcar queimado com canela.

Tá bom mãe, amanhã eu fujo pra valer.

IV.

V.

Dor
Drama

I.

Prometera, ontem, uma massagem. Hoje esqueceu, amanhã também não lembrará, semana que vem muito menos. É folga, emenda de feriado, descerebrado, só pode, um descabimento desse, deixar a dona assim, de costas duras, bastava erguer o dedão e apertar aonde dói, não mata não, serviço de casa castiga a carcaça igual pegar no batente, parece que não entende.

II.

Ela não quer mais, que fique maneta, esse quengo, a escopeta tá ali de canto, o tranco do último disparo foi tanto que travou a coluna, ai ai ai, esmigalhou os dedos todos.

III.

Deixa passar o feriado que ela arruma outra mão, de outro homem, se insistir na preguiça vai fazer companhia para os demais na vala do quintal, é capaz de nascer um pé de frouxo se enterrar um terceiro no local. Oh mundo pra ter homem mole!

Ainda doem as costas.

IV.

V.

Cristal
Drama

I.

Ele nasceu em um magnífico palácio. Antes que pudesse sentir fome lhe davam de comer. Antes que desejasse algo já o possuía em mãos. Frio ou calor, nunca sentiu.

Todos lhe sorriam. Todos o bajulavam. Tudo lhe era possível.

II.

Um dia, enquanto admirava a paisagem por uma de suas janelas, viu um pardal pousar sobre o peitoril.

O jovem exigiu que o pássaro pousasse em sua mão, mas o pardal voou para longe, pois era livre.

III.

O coração do mancebo despedaçou-se, à semelhança de uma frágil taça de cristal.

Caído, nos braços de um de seus servos, deu seu último suspiro.

IV.

V.

Aos Domingos
Drama

I.

Meu pai manda eu virar "homem de verdade" e diz que os adolescentes de hoje são "frescos demais" toda vez que falo sobre veganismo em casa.

Entendo a dificuldade em ver a carne como produto da exploração, já que somos acostumados a vê-la como o prato principal de quase todas as refeições.

II.

Mas desde o dia em que vi aquele documentário, não consigo mais engolir essa história. Milhares de seres humanos são presos em pequenas celas, forçados a comer uma mistura para encorpar. As mulheres são estupradas a fim de engravidar e produzir leite.

III.

Se nascer uma menina, encontrará o mesmo destino que a mãe; se for menino, provavelmente será transformado em vitela.

A mídia e médicos dizem que eles não podem mais ser classificados como seres humanos, que nós os salvamos da fome e da miséria e que é extremamente necessário para a nossa saúde continuar consumindo carne e leite.

IV.

Séculos atrás extinguimos todos os animais irracionais da Terra. Será questão de tempo até nos extinguirmos também.

V.

O Empata
Drama

I.

Sentada, ao meu lado, na sala de aula, está a menina mais linda do mundo. Seu nome é Roberta. É minha vizinha de frente, mas não sei se ela sabe. E hoje ela está mais triste do que de costume. Pelo seus olhos vermelhos, com o esquerdo levemente inchado, sei que as coisas não andam muito bem.

II.

Quando seus pais brigam, sempre sobra pra ela. Gostaria muito de tirá-la desse mundo de dor...

Eu sigo o caminho que ela faz, cortando por um beco. Chuto uma pedra que bate numa lata. Roberta olha pra trás, mas ao me ver, relaxa. Sorrindo, vou ao seu encontro. Quero mostrar que eu entendo sua tristeza.

III.

Seguro com minhas duas mãos seu pescoço e aperto. Roberta se assusta, depois se entrega. Vejo nos seus olhos que ela segue em paz. Suas lágrimas são de agradecimento.

IV.

Existem muitas formas de ter empatia pelos outros, e muitas formas de demonstrá-las. Cada um faz sua parte, não é mesmo?

V.

Suspense
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Visita
Suspense

I.

- Papai, tem um homem lá em baixo. Disse que quer falar com o senhor.

- Você o convidou para entrar?

- Claro que ela convidou.

Disse a elegante voz, com um delicioso sarcasmo.

II.

- Este é o problema em ensinar bons modos para os filhos, antes de contar para eles sobre vampiros.

III.

IV.

V.

Despedida
Suspense

I.

Ela costumava tomar chá enquanto observava o crepúsculo do alto andar onde morava.

No prédio vizinho ninguém fazia o mesmo, por isso assustou-se quando viu alguém postado na janela do apartamento nivelado ao seu.

II.

O homem segurava uma rosa de pétalas negras como uma noite sem luar. 

Seu rosto estava oculto na penumbra e mesmo assim ela sabia que ele a observava. O estranho ficou lá, imóvel, até acenar.

III.

Fingindo não o observar ela deu-lhe as costas e foi até a cozinha deixar sua xícara vazia.

Ao voltar para sala, olhou de relance para a janela, mas o homem havia sumido. Suspirou aliviada e atirou-se no sofá.

IV.

Sua noite seria tranquila como todas as outras não fosse o que a fez sufocar um grito na garganta.

V.

Sobre uma das almofadas jazia uma rosa de pétalas negras.

Dormente
Suspense

I.

Dizem que você vê demônios.
Dizem que você não pode se mexer.
Dizem que o terror é insuportável.

II.

A madrugada não é tão escura quanto as pessoas pensam.
Eu não sei o que adormeceu primeiro, se o meu corpo ou os meus sentimentos.
Mas acordei sozinho na escuridão e, pela primeira vez, senti medo.

III.

Onde estava o demônio? Onde estava? Imóvel, eu o busquei com o olhar.
Mas não havia nada. Era o breu. Aquilo era novo. Mas meu corpo, meu corpo...
Continuava inacessível.

IV.

Pensando bem, tudo faz sentido.
Os demônios só se interessam pelos vivos.

V.

Isolamento
Suspense

I.

Ruas vazias. Comércio local fechado. Silêncio.

Mesmo sendo mais recluso, não estava preparado para aquele isolamento.

Recorria ao celular, mas as notícias e opiniões divergiam, e não havia nenhuma mensagem significante.

II.

Não era “frescura”: de livros e séries, ele estava muito bem, os exercícios latejavam seus músculos e a casa estava tão limpa que virou compulsão.

Aqueles dias já estavam afetando seu psicológico cada vez mais.

III.

Cadê os vizinhos? As crianças?
Cadê todo mundo? A ansiedade bateu.
Estaria ficando…?

TOC-TOC.

Rapidamente, abriu a porta.

IV.

- Oi, Ivã. Desculpe vir assim sem avisar, mas... sabe como é? Esse isolamento está me deixando meio maluca...

- Que bom que veio! Entre, Bianca! Quer fazer alguma coisa?

-Conversar!....E um café, também.

V.

Mesmo
Suspense

I.

“Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se no andar”.
Ele leu a placa e riu. “Que aviso inútil”.

Ao entrar, comentou esse pensamento com o ascensorista, que discordou dele.
- Você estaria certo, se o aviso fosse sobre o elevador.

II.

- É sobre o quê, então?
- Não sobre o quê, mas quem: Mesmerus, o espírito ceifador. Ou, como ficou conhecido, Mesmo.

O homem alcançou o seu crucifixo pendurado no pescoço. Riu para disfarçar o nervoso.

III.

- Ficaria com medo, se eu acreditasse nessas coisas.
- Ninguém precisa acreditar em nada, para algo ser real.

Silêncio.

O único som era o das engrenagens. Foi então que o homem percebeu que o seu andar não estava selecionado.

IV.

- Você não me perguntou para que andar eu vou.
- Não perguntei.
- Ué, mas tá descendo? Eu queria subir.
- Todos querem.

V.

Quarentena
Suspense

I.

6ª dia de Quarentena.

Querido diário, sem nada para fazer, comecei a observar a rotina dos vizinhos. Descobri que, mesmo em quarentena, a Beth (minha vizinha) arranja um jeito de trair o marido. Irresponsável. Estamos em quarentena, porra!

II.

9ª dia de Quarentena.

Não é que o velho Bill (meu outro vizinho), tacou o foda-se para o isolamento.

III.

12ª dia de Quarentena.

Querido diário, faz três dias que observo o velho Bill. Ele sai de carro toda noite, e quando volta tira algo do porta malas, mas não consigo identificar.

IV.

15ª dia de Quarentena.

Decidi que amanhã à noite vou entrar na casa do velho Bill, logo assim que ele sair.

V.

16ª dia de Quarentena.

Encontrei corpos no porão. Tudo cheirava a carniça. O velho Bill chegou bem na hora e acho que me viu saindo do seu quintal. A polícia ainda não chegou, mas...

Romance
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Camila
Romance

I.

Deslizo a mão em seus cabelos grisalhos. Há tanta coisa para contar, sabe? Desde o dia que te conheci, quando de forma inusitada, te atropelei com a minha bike… 



II.

Nossa primeira dança no baile de formatura, nosso primeiro beijo lá na casa dos seus pais…

Depois disso, trabalhando, alugamos uma casinha e vivemos momentos maravilhosos; parecíamos duas crianças brincando sem nunca cansar.

III.

Sofri junto com você no nascimento do nosso primeiro filho, mas deu tudo certo. Aprendi, com muitos erros, a decifrar cada expressão e sentimentos teus. Não fomos para Paris ou Nova York, mas descobrimos muito do nosso Nordeste.

IV.

Hoje, por ironia do destino, você não se lembra mais de mim, nem dos nossos inúmeros momentos juntos.

V.

Mesmo assim, amanhã irei te contar tudo de novo, como se fosse a primeira vez.

Apolo
Romance

I.

Onde vc está?
Sé. Longe... Vc?
Ainda esperando o busão
Meodeos...
Que foi?
Tem um deus grego aqui
No seu vagão?

II.

Na minha frente
Com sua sorte, só pode ser Hefesto
Não! É Apolo
Certeza? Vc nunca foi boa em mitologia grega
Apolo em toda sua glória
Manda foto
Como?

III.

Finge que tá mexendo em alguma coisa e tira, ué. Discretamente
Tá.

30 minutos depois.

Alice? Ta aí? Td bem?
Vc me paga!
?

IV.

Disparou o flash, paguei o maior mico da minha vida
HSHUASHHAUHSUA
Vc ri? Fiquei com tanta vergonha que saí do metrô, entrei no que estava do outro lado da plataforma e me perdi. Agora estou num ônibus que passa perto de cas.. meodeos!
O que?

V.

Ta vindo pra cá

Apolo acabou de entrar no ônibus
Não!!!!

30 minutos depois.

Alice? Kd vc? O que tá acontecendo?
Conto depois. Não da pra tirar foto agora S2 S2

Boêmio
Romance

I.

A noite cai na grande cidade. Pessoas caminham apressadas para chegarem as suas casas, mas o boêmio não

Ele é amigo da lua, amante da madrugada. Ele versa com aquilo que ninguém percebe, as estrelas.

II.

O boêmio acorda tarde e se prepara para à noite. Ele é um ser intocável sentimentalmente.

Mas o boêmio não contava em se apaixonar.

Amanda é uma menina alegre, 25 anos e com um tesão pela vida que encanta a todos.

III.

O boêmio, numa bela noite de lua cheia no alto do céu, viu o brilho da Amanda e a confundiu com aquilo que o inspirava.

Não era nenhuma estrela, era a menina de seus olhos encantados. O boêmio tentou fugir, dizer não quando queira dizer sim.

IV.

E como um raio, Amanda passou e o boêmio com as pernas bambas ficou e reação não teve. A menina se foi. E hoje o boêmio chora, tendo sua amiga lua por testemunha, guardando na memória a noite em que um anjo tocou seu coração.

V.

Agora ele rabisca nos guardanapos dos bares versos de tristeza, aguardando o dia em sua musa aparecerá novamente.

Sonhadora
Romance

I.

Emilly cresceu ouvindo contos de fadas, ainda morava com os pais, fazia só tarefas domésticas, se preparando para um príncipe.

Ensaiava seu casamento e usava sempre longos vestidos.

II.

Um dia finalmente conheceu Vitor, que também procurava um relacionamento sério, pelo menos um sério, porque queria continuar com outros mais divertidos.

Daí ela finalmente percebeu que ninguém viria salvá-la!

III.

Ela precisava sair do “castelo”, matar seus próprios monstros, parar de depender de beijos e príncipes encantados, tirar aqueles vestidos “bregas” e mostrar que ela era dona de todo poder que buscava nos outros.

IV.

Hoje mora em um trailer turístico e ganha dinheiro levando pessoas a conhecerem lugares que inspiraram castelos de princesas. Conheceu Paulo e vivem cada dia como se fosse o último.

V.

Carnaval
Romance

I.

Juraram amor eterno ao se verem, entre um trio e outro.

Não perderam tempo trocando desnecessários nomes.

Paixão avassaladora.

II.

Durou quatro dias, cinco abadás, sete trios elétricos, oito motéis, nove becos, dezenas  de fantasias, inumeráveis e indecifráveis bebidas e nenhum preservativo.

Depois da quarta, cinzas e quaresma.

III.

IV.

V.

Estrela
Romance

I.

Eu já amei uma vez.

A muito tempo atrás eu me lembro de ter visto uma estrela, foi a primeira vez que senti meu coração bater mais forte.

II.

Eu só queria tê-la, então desejei que ela ficasse.

Eu não acreditei quando percebi que ela vinha em minha direção.

III.

IV.

V.

SciFi
ver mais
Looping
Sci-Fi

I.

Seus olhos são como a Lua Cheia. Poderia ficar em looping, só para vê-la mais uma vez?Ela é Mariana, e de todos os caras no mundo, escolheu a mim.Não preciso dizer o quanto ela é bonita!

II.

No quinto encontro, ela me disse: -Será que podemos ir pra um lugar só eu e você? Demorou pra minha ficha cair, mas sem pensar muito, entramos no carro.Não faço ideia de onde levá-la. Espero que ela não perceba; porque nela só vejo confiança!

III.

Seu perfume me deixa atordoado.No seu decote uma renda rosa se insinua e engulo seco.Depois de hoje direi que a amo, antes que algo aconteça (ou que ela mude de ideia).

IV.

-Felipeeee!-ela grita. Um carro entra em cheio na minha porta. Sinto minhas costelas esmagadas. Que pena, Mariana! Nosso plano não deu certo. E agora, preciso partir.

V.

Seus olhos são como a Lua Cheia. Poderia ficar em looping, só para vê-la mais uma vez?Ela é Mariana, e de todos os caras no mundo, escolheu a mim.

O Levantar
Sci-Fi

I.

É muito difícil descrever em palavras o que eu vi. Conforme seu corpo, ou melhor, sua forma se levantava, tudo ao redor foi sumindo, como se aquela existência ocupasse toda a importância de meus olhos. Pensei em levar as mãos aos olhos e cobri-los, mas algo me dizia que o ato seria inútil.

II.

A cena já estava tatuada em minha mente, e nunca mais serei capaz de apagá-la. Aquela visão me trouxe até aqui, Doutor.

Espero que suas ferramentas e conhecimentos sejam capazes de remover essas loucuras de minha cabeça.

III.

IV.

V.

Farsa
Sci-Fi

I.

Sempre imaginei que em algum lugar, eu seria uma pessoa diferente.
Boa vida, uma casa grande, família de comercial de margarina, tudo aquilo que muita gente batalha a vida inteira para ter.

II.

Não imaginava que, quando conseguisse encontrar esse outro lugar e essa outra vida, a pessoa que ocupava a minha existência seria tudo aquilo que não suportava ver.

III.

IV.

V.

Humanidade
Sci-Fi

I.

"Abri os olhos e notei um lugar estranho, um mundo totalmente diferente. O ar era rarefeito que mal consegui respirar, e o sol no alto do céu já não era tão quente.

II.

Por falar em quente, os humanos que ali caminhavam nem pareciam gente. Na verdade, nem pareciam estar vivos. Sentimentos, ações, pensamentos... Eram feitos por aplicativos.

III.

O ser humano se tornou finalmente um robô. Sem vida. Sem alma. Um objeto material. A tristeza era presente em cada canto de esquina e a alegria era uma droga fatal.

IV.

O caminho por onde sigo começa a ficar escuro e desperto do meu sono. Não sei se isso foi um sonho ou se isso será o nosso futuro."

V.

Tempo
Sci-Fi

I.

“O tempo é uma ferramenta que foi criada para controlar as nossas vidas”.

Não me lembro quem me disse isso quando eu era garoto, mas essa visão do tempo me perturbou e me instigou por toda a vida.

II.

Quanto tempo temos?
Porque temos que nos curvar a ele?
E se pudéssemos caminhar por ele?
O que daríamos em troca?

Não me lembro em que momento os primeiros começaram a manipular seu próprio tempo, passado e futuro, pagando a ele com suas próprias vidas.

III.

Eu apenas entendi a teoria das cordas, e aprendi a vibrar em outras frequências, e assim, viver entre momentos.

Eu venci o tempo.
Enganei o tempo.
Paguei ele com vidas de outros.

IV.

Ele deixou de se importar comigo.

Estou assim há eras, tudo já se extinguiu no universo, só restou a escuridão e o silêncio. Não estou vivo e nem morto, apenas sou.

V.

Me tornei prisioneiro do que sempre fugi, no final ele me enganou, e me aprisionou nesse momento infinito.

Devia tê-lo tratado com o devido respeito.

SAC
Sci-Fi

I.

- Serviço de atendimento ao cliente, para sua segurança, essa holochamada está sendo gravada, em que posso lhe ser útil?

- O acelerador de partículas da região 6 parou de funcionar! Isso é um absurdo!

II.

- Pagamos caríssimo para termos acesso ilimitado a outras galáxias, e não consigo nem abrir um buraco de minhoca simples para fazer uma dobra espacial!

- Manutenção, chamado no setor 6! Verificar com urgência, é o ramal do governador.

III.

Não se sabe por quanto tempo ficaram ouvindo o ruído daqueles motores, respirando fumaça, para garantir o conforto de dobras espaciais estáveis e seguras para os neo-milionários.

Ninguém se importa como as coisas funcionam. Basta que funcionem.

IV.

V.

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