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Amor?
Suspense

I.

Odeio chuvas de verão.
Em um momento está tudo claro e do nada, ela vem, em toda sua glória. A chuva me pegou pouco antes de chegar em casa. Entro, tiro os óculos e a roupa molhada e vou pro banheiro. Só depois me dou conta de que esqueci o shampoo no guarda-roupa. Droga.

II.

Ouço a porta abrindo, meu amor chegou, que bom.
— Amor? Pode pegar meu shampoo pra mim? Tá lá no guarda-roupa.
Ele não responde, deve estar estressado hoje, mas escuto a porta do guarda-roupa abrindo e em seguida a silhueta de sua mão deixando o shampoo no box.

III.

— Obrigado querido.
Terminando de me enxugar. Ouço a porta de casa abrindo novamente. Ponho os óculos e saio do banheiro.
— Oi amor. Vai sair de novo?

IV.

— O que quer dizer, meu bem? Acabei de chegar.
— Se você acabou de chegar... Então quem me entregou o meu shampoo?

V.

Testemunha
Sci-Fi

I.

Foi em um encontro na Lapa, quando Marcos nos chamou para revelar sua ausência nos últimos sete anos.

- Sei que é difícil de acreditar, mas há sete anos, fui abduzido. Há alienígenas entre nós!

II.

Todos riram, como era de se esperar. Ele tentou nos mostrar as filmagens em seu celular, mas ninguém deu muita bola.

Marcos parecia estar mais nervoso do que antes.

III.

Rafael, tocou seu ombro para acalmá-lo, mas isso pareceu incomodá-lo ao ponto de sacar uma arma, apontar e ….

IV.

Tudo acontece rápido demais. Até onde a paranoia pode levar o ser humano? O que aconteceu de verdade com Marcos para chegar a esse ponto?

Volto minha atenção para Rafael, seu corpo estirado na calçada, escorrendo sangue verde e sua fisionomia se tornando lentamente menos humana.

V.

Bete
Drama

I.

Encantada com os cheiros, sons, movimentos, cores, formas e sabores; perdeu-se de sua família.

Pôs-se a perguntar aos transeuntes sobre o paradeiro dela. Apenas sorriam e lhe afagavam. Não entendiam a sua língua.

II.

Depois de certo tempo, andar sem a família torna tudo muito ruim: os cheiros, sons, sabores e cores não se comparavam aos de sua casa. Queria voltar e não sabia como. Pôs-se a chorar uma angústia compungente.

III.

Uma transeunte pequena, de olhos fagueiros cor de mel, tomou-lhe nos braços e, parecendo entender seu idioma, lhe acolheu em um abraço:

— Não chore menina! O que você faz longe de sua mãezinha?! Vou chamar-lhe de Bete, ok?!

IV.

Um beijo canino (que os humanos chamam de lambida) foi o sim bem traduzido pela mãe humana com quem conviveu por quatorze anos.

V.

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