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Amor?
Suspense

I.

Odeio chuvas de verão.
Em um momento está tudo claro e do nada, ela vem, em toda sua glória. A chuva me pegou pouco antes de chegar em casa. Entro, tiro os óculos e a roupa molhada e vou pro banheiro. Só depois me dou conta de que esqueci o shampoo no guarda-roupa. Droga.

II.

Ouço a porta abrindo, meu amor chegou, que bom.
— Amor? Pode pegar meu shampoo pra mim? Tá lá no guarda-roupa.
Ele não responde, deve estar estressado hoje, mas escuto a porta do guarda-roupa abrindo e em seguida a silhueta de sua mão deixando o shampoo no box.

III.

— Obrigado querido.
Terminando de me enxugar. Ouço a porta de casa abrindo novamente. Ponho os óculos e saio do banheiro.
— Oi amor. Vai sair de novo?

IV.

— O que quer dizer, meu bem? Acabei de chegar.
— Se você acabou de chegar... Então quem me entregou o meu shampoo?

V.

O Espelho
Terror

I.

Quando Thomas chegou da escola, ao fim da tarde, o espelho já estava colocado. Era enorme, ocupando boa parte da parede. Sua moldura era antiga, feita de ferro, com estranhos traços em bronze que lembravam algum tipo de escrita asiática.

II.

- Mãe, o espelho ficou maneirão! Mãe!? - Gritou o garoto, virando-se e ficando de costas para seu reflexo.

Thomas então sentiu um leve toque em seu ombro. Uma mão, fria como uma pedra de gelo que pareceu derreter, molhando sua camisa. O garoto virou-se bruscamente, voltando a ficar de frente para o espelho.

III.

"Eu estou louco?" Perguntou-se quando viu que seu reflexo tinha desaparecido.

Então viu sua mãe. Vindo do quarto, parecendo procurar por quem tinha lhe chamado. Parando seu olhar fixo no espelho, em pé, de frente para o filho.

IV.

Nesse momento ele percebeu que não,  não estava louco. Estava, na verdade, do outro lado.

Dentro do espelho.

V.

Conchas
Drama

I.

Entre a areia da praia e o horizonte, há um mundão d’água pra mergulhar.

Fico aqui sentada, desenhando coisas com um graveto, imaginando quando o mar vai apagar. Um coração, meu nome e o nome de alguém.

II.

Não importa mais; o mar apaga.
O mar leva e não volta mais.

Meus olhos se fixam onde a linha divisa o resto do mundo.

“Será que consigo nadar até lá...?
Seria um esforço inútil, já que sei que não vou te encontrar.”

III.

Pensando em tudo e em nada, nem noto que a tarde chega e a noite cai.

Um vento frio me envolve e percebo que é a solidão quem me abraça, calma, mas com mãos enormes.

IV.

Um arrepio me eriça os pelos e não tenho mais medo - te reconheço.

Um gosto de lágrima me chega aos lábios, engulo em seco, e me despeço de ti.

V.

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